06/10/2010

OFFSET 2010 – Parte 2

Entre o dia 1 e 3 de outubro eu participei de uma conferência voltada para artistas de comunicação visual – fotógrafos, ilustradores, publicitários, designers gráficos, coletivos, estúdios de design, artistas, animadores, DJs, diretores de criação, etc. – chamada OFFSET.

Esta é a segunda parte do meu relatório sobre o evento. Se você ainda não leu a primeira parte, você pode conferi-la aqui.

O segundo dia do OFFSET foi aberto pela adorável artista gráfica inglesa Emily Forgot. Ela disse que não se classifica nem como ilustradora nem como designer, pois um ilustrador deve ter somente um estilo, enquanto um designer gráfico deve atender à diversos estilos, portanto ela é uma mistura dos dois.

foto cedida por Anna Deegan

Ela também propõe que vejamos tipografia como imagens legíveis. Além disto, esta jovem talentosa já prega que não devemos nos prender à idéias pré-concebidas de design, como por exemplo, que se deve amar a fonte Helvetica. “Não se importe com o que os outros vão pensar da sua arte, crie aquilo que é você”. Falou e disse!

Depois resolvi participar de uma conversa entre ilustradores, contando com a presença de Steve Simpson e Chris Judge, dois dos mais conhecidos ilustradores irlandeses. Chris conta que seu estilo se desenvolveu com base nas coisas que ele gosta e gostava quando criança (alguma coisa parecida com Martin Haake, ilustrador que se apresentou no primeiro dia). Ele e Steve aconselham, para ilustradores que querem entrar no mercado, a procurarem agentes e agências de publicidade em Londres ou talvez em Nova Iorque, onde há mais demanda pelo trabalho de ilustração, pois a Irlanda ainda explora muito pouco este aspecto da comunicação visual. Outras dicas que eles deram inclui: Mantenha contato com possíveis agências, conheça o que estas agências fazem a fundo, considere que o mercado editorial na Irlanda está atualmente muito lento, tente participar de coletivos e exposições em grupos e, finalmente, para ilustradores  aspirantes que estão buscando mais dicas, vocês podem comparecer ao Odeon (lugar já revisto pela nossa querida Danubia, aqui), às 7 da noite na primeira quarta-feira de todos os meses quando os membros do IGI (Illustrators Guild of Ireland) se reúnem para conversar informalmente com quem deseja entrar na indústria.

Retornei ao palco principal para ver uma palestra de Nate Williams, um ilustrador fantástico que por acaso é dislexico e daltônico, mas mesmo assim é super bem sucedido, vende cópias de seus trabalhos, zines, almofadas, bolsas e até faz capa para livros. Tem gente que nasceu para ser talentoso, não é mesmo? Uma das coisas bacanas que ele disse foi que as pessoas criativas devem se manter em um estado de curiosidade e otimismo, como as crianças normalmente são, e que isto inspira a busca de soluções novas. Além disso, ele também mencionou ser influênciado por elementos da infância (aparentemente um tema recorrente entre ilustradores). Claro que ele também deu algumas dicas e elas são: Tenha um estilo único e consistente, tenha habilidades técnicas e saiba também transmitir a mensagem, estimule  o boca-a-boca, participe de comunidades online, seja positivo e flexível e lembre-se de que você deve ter retorno sobre o seu investimento, não somente financeiramente mas emocionalmente também. Bom, não sei se esta é a receita para o sucesso, mas é melhor anotar…

A última apresentação antes do almoço foi uma palestra de Steven Heller, designer e autor norte-americano, que na verdade falou muito sobre como vemos o futuro, como em 1960 imaginávamos que o futuro seria algo fantástico, contudo hoje vivemos no futuro, pois tudo que imaginamos já existe ou está quase virando realidade. Fica para nós o questionamento e a provocação de soltarmos nossa imaginação e quem sabe, imaginar um futuro mais criativo.

Depois da boquinha assisti à palestra de David Carson, designer gráfico muito conhecido pelo trabalho com tipografia experimental para marcas como Pepsi, Ray-ban, Nike, Budweiser, Quiksilver entre outros. Ele mostrou bastante do seu trabalho, passando por peças inusitadas, fotografias com regisros pessoais e vídeos. David se empolgou tanto que sua apresentação teve 3 finais além do tempo estipulado de 1 hora para sua apresentação, se extendendo por mais 40 minutos.

Como tudo ficou um pouco fora do eixo eu acabei ficando no palco principal para uma conversa com o designer gráfico Mark Farrow, que foi muito interessante, pois ele explicou todo o processo de desenvolvimento de uma identidade visual para um álbum de músicas, seja em qualquer formato -EP/CD/Mp3. Como ele trabalhou com os Pet Shop Boys, ele apresentou um estudo de caso, que cobriu a discussão dos conceitos, a criação dos materiais, implementação das idéias e promoção dos itens. Uma pena eu ter perdido a conversa que estava rolando no terceiro andar sobre ilustração, mas eu achei que ela já tinha terminado quando a apresentação do Mark havia começado, com 40 minutos de atraso, mas o insight sobre como ele trabalha foi muito bacana.

Depois entrou no palco um dos ilustradores mais bacanas que a Terra dos Leprechauns tem: Alan Clarke. O estilo dele é muito único e criado com muito detalhe a dedicação. Ele mostrou algumas de suas influências, como imagens antigas e idéias inusitadas e chegou até mesmo a apresentar um breve vídeo em stop motion de como é o processo de criação dele. Depois ele nos encantou com suas imagens misteriosas e fantásticas que parecem mais ter saído de um mundo de sonhos (ou pesadelos) do que da imaginação dele…

Para fechar o segundo dia com chave de ouro, assiti à uma palestra de um dos maiores inovadores da publicidade nos Estados Unidos, George Lois. Ele foi quem criou a campanha “I want my MTV”, fez com que Tommy Hilfiger se tornasse uma das marcas mais conhecidas na América do Norte e criou inúmeras capas icônicas da revista Esquire. Ele soltou o verbo contra a série Mad Men, alegando que eles não retratam a criatividade e empenho que, de fato, existiram naquela época e ainda fez questão de deixar claro que, sempre que criava alguma capa da Esquire ou conceito que gerasse comoção, ele se mantia fiel aos seus princípios. Alías, maior parte da palestra foi dedicada à explicação das composições destas capas e dos conceitos de época que permeavam seu desenvolvimento. Pelo jeito, causar o burburinho e não torcer o braço rendem reconhecimento, mesmo que nem todos aprovem.

Este foi meu segundo dia no OFFSET e em breve postarei sobre as minhas aventuras no dia final da conferência!

Até mais!

P.S. Eu não levei minha câmera durante o segundo dia, portanto as fotos do evento foram obtidas no site Nerosunero.org

Postado por: | Comments (4)

4 Comments »

  1. Nossa, quando vamos viajar pensamos em tantas coisas e as vezes nos deparamos com algo inesperado… nesse caso este evento. Eu sou formanda em jornalismo e apaixonada por comunicação, já vou salvar nos meus favoritos e se o evento for anual com certeza nos encontraremos no próximo =) Beijo!

    Comentário by Pri Fernandes — 07/10/2010 @ 2:03 am

  2. Muitoo bom o post, fiquei fascinado até porque sou formado em publicidadee propaganda.. adoro artes em geral.. muito bom!
    Beijos

    Comentário by Guilherme Goretti — 07/10/2010 @ 4:10 am

  3. Oi Pri!

    Pois é, o OFFSET foi um evento muito bacana, mas como você disse, às vezes estamos tão empolgados com a viagem que nem pensamos que coisas diferentes podem acontecer, não é?

    Espero vê-la no OFFSET 2011 (torcendo para que ele aconteça sim!)

    Beijinhos

    Comentário by Tarsila — 08/10/2010 @ 8:46 am

  4. Olá Guilherme!

    Obrigada pelo comentário! Que bom ver que existem pessoas da área criativa aqui no Vida Na Irlanda!
    Quem sabe não criamos um comitê brasileiro no próximo OFFSET?

    Beijinhos

    Comentário by Tarsila — 08/10/2010 @ 8:47 am

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